A solteirice de uma menina crente

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Tenho 24 anos e à medida que a gente vai ficando mais velho vai aprendendo mais sobre a vida e sobre si mesmo. Tenho aprendido muito sobre muitas coisas, mas hoje quero compartilhar o que tenho aprendido sobre solteirice (não tenho certeza se essa palavra realmente existe :p).

Quando eu era adolescente (graças a Deus que já passou!) pensava que se eu chegasse nos meus 20 e poucos solteira minha vida seria uma derrota total. Ainda bem que eu não penso mais assim, por que eu tenho 20 e poucos e sou solteiríssima. Mas ter 20 e poucos anos e ser solteira não é muito fácil ainda mais para uma menina cristã.

Antes de tudo quero dizer que acredito que relacionamento é algo sério, não poder ser meramente para satisfazer necessidades egoístas físicas ou emocionais. Um relacionamento deve ser sempre um teste para um casamento. Mas é claro que as necessidades existem, e para uma jovem mulher elas são fortemente emocionais. E por causa das necessidades emocionais vejo muitas jovens na igreja doidas para arrumar um namorado (ou um marido para as mais sérias). Mas isso nem sempre acontece, e para as solteiras nem sempre é fácil conviver com si mesmo e com os preconceitos das pessoas ao nosso redor.

A sociedade evangélica é baseada na família, para os adultos solteiros (Não tenho muita certeza se me enquadro nessa categoria, ainda é difícil me enchargar como adulta) a vida não é fácil. Além das nossas próprias necessidades enfrentamos muitas outras pressões, na igreja, no trabalho, na faculdade, na família, em todo lugar. As pessoas acham que se alguém tem 25 ou 30 e está solteiro tem algo errado com essa pessoa e ela deve estar miseravelmente infeliz. Quando digo solteiro quero dizer solteiro mesmo, sem namorado, porque paradoxalmente muitas pessoas desencorajam o casamento antes dos 30. Então para a maioria das pessoas uma pessoa entre 20 e 30 não pode ser solteira nem casada (estou falando em termos gerais, um padrão que tenho observado que acontece dentro da igreja e me parece meio que uma mistura de um pensamento cristão e secular).

Já ouvi muitas coisas que me mostram que a mentalidade do povo de Deus talvez não esteja muito de acordo com a mentalidade do Pai, e o propósito dele para cada um. Não acho que todos tenham que concordar comigo, mas acho que todos devemos refletir a respeito. Por isso vou listar as coisas que já ouvi e o que eu acho de cada uma.

Algumas pessoas pensam que sou solteira por opção e tentam me apoiar, e disso vem cada pérola.

 

– Isso mesmo não casa agora não aproveita a vida.

Eu não tenho muita certeza do que essa pessoa estava falando. Como assim aproveitar a vida? Eu realmente espero que ele/ela estivesse falando de estudar no exterior ou ser missionária em outro país. Mas não acho que era isso. As pessoas pensam que depois do casamento a vida acaba, não se pode fazer mais nada. É claro que não posso falar sobre casamento, mas eu realmente não acredito que só se pode aproveitar a vida se você for solteiro. Eu até entendo que as pessoas pensem assim fora da igreja onde a regra é a auto realização e a busca interminável por prazer, nesse cenário sim, ser solteira é o melhor negócio. Não tenho certeza se como cristã ser solteira é melhor do que ser casada, nem de que ser casada é melhor do que ser solteira.

 

– Isso mesmo, não casa não, estuda!

What??? Quer dizer então que casar e estudar são antônimos? Tudo bem que eu esteja fazendo mestrado, que eu planejo fazer doutorado, mas não acho que o único jeito de fazer isso seja solteira. Entendo que depois que se casa as responsabilidades aumentam, e que talvez o ritmo de estudo tenha que ser mais lendo, mas e daí?

 

– Isso mesmo, não casa agora não, faz a obra de Deus.

Hum, esse é melhorzinho. Mas ainda sim tenho que discordar. Sabemos que o Apóstolo Paulo (I Co 7:8) aconselha os solteiros a permanecerem solteiros e se aplicarem à obra, mas uns versos antes ele deixa bem claro que era a opinião dele e não mandamento (uma opinião que devemos respeitar). De qualquer forma eu concordo que na minha solteirice posso dar todo o meu tempo ao Senhor e trabalhar bastante para ele. Mas estou muito certa que casada também farei a obra, talvez de uma outra forma, mas o casamento não vai trazer uma “invalidez” na minha identidade de serva, isso é certo.

 

Tem ainda quem ache que ser solteira aos 20 e poucos é terrível e tentam me consolar de alguma forma.

 

– Ah, você está muito ocupada pra pensar nisso.

Sim eu estou muito ocupada, mas não de mais para encontrar o amor da minha vida S2. O que eu quero dizer é que eu não vou usar meu mestrado (que exige umas 10h de estudo por dia) como desculpa para minha solteirice, eu não sou solteira por que sou ocupada. Nem quero usar isso como uma mascara, para esconder minhas tristezas de ser solteira, o que às vezes acontece. Sou ocupada e sou solteira, os dois não se relacionam.

 

– Não se preocupe, o cara certo vai aparecer, Deus está caprichando.

Eu sei e não estou preocupada.

 

– Você está focada em outras coisas, depois você pensa nisso.

Realmente eu não estou focada em arrumar um namorado ou casar, mas também não desprezo a ideia. Se rolar beleza, se não beleza também.

 

Como uma jovem solteira os dias nunca são iguais. Às vezes a vida é bela, eu me sinto livre, leve e solta pra fazer o que eu quiser sem ninguém para prestar contas. Mas às vezes é meio chato ficar sozinha. Eu não acredito nessa ideia hollywoodiana de que se eu encontrar o amor da minha vida eu vou ser finalmente feliz para sempre, e que os romances são perfeitos. Mas também não quero ser orgulhosa e pensar que eu não preciso de ninguém, sou o máximo sozinha, a mulher maravilha. Mas para encontrar esse equilíbrio levou um tempinho, pode ser que eu escreva sobre isso um dia.

Eu não preciso de motivos e nem desculpas para ser solteira. Também não quero me sentir terrível ou miserável por estar solteira. A única coisa que eu quero é fazer a vontade de Deus. Viver o que ele tem para mim hoje. Deus tem uma história para a humanidade que está sendo desenhada desde a fundação do mundo. No meio disso tudo eu tenho um papel importante a desempenhar nessa história. O que eu quero é fazer o meu melhor, sozinha ou acompanhada.

 

 

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Welcome!

Já faz um tempo que quero ter um blog para escrever o que penso sobre o que vejo. Como resolução de ano novo, vou colocar esse plano em ação :p.

 

Antes de tudo quero falar um pouco sobre mim, acho que se você me conhecer um pouco pode entender meus pontos de vista.

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Nasci em 1989, em Belo Horizonte, em uma família cristã (pode falar crente mesmo) e cresci neese ambiente. Desde de pequenininha tive fé em Deus e na Bíblia. Hoje sou apaixonada pelo cristianismo e pelo Cristo que o originou, guio minha vida e escolhas pela Bíblia e tudo o que penso passa por esse filtro.

Outra paixão é a política internacional. Acho que recebi muitas influências da minha família nesse sentido. Muitas das minhas lembranças de infância são aprendendo e querendo saber mais sobre o mundo. Me lembro de ser pequenininha e amar assistir documentários sobre outros países, e de receber “aulinhas” de geografia do meu pai com um mapa-mundi enorme que tínhamos em casa e de ganhar um atlas de presente no meu aniversário de 7 anos (mas esse aí não foi por escolha, o que eu queria mesmo era uma Barbie). 

Ainda criança eu queria aprender inglês, mas meus pais não podiam pagar uma escola para mim. Diz o ditado quem quer dá um jeito, dei um jeito e aprendi por mim mesma. De ínicio com um dicionário velho eu traduzia tudo o que vinha na minha mão que fosse em inglês. Mais tarde, aos 16 começei a trabalhar de estágiária de nível médio na prefeitura de BH e paguei um curso eu mesma. Depois disso nunca mais parei.

Junto com os estudos de inglês veio o sonho de estudar no exterior. E depois de muitos milagres e conquistas em 2011, no meu último ano da faculdade (Relações Internacionais por sinal), eu fiz um intercâmbio na West Virginia University. Mas um semestre de estudo não me satisfez, e em 2013, depois que me formei na faculdade, voltei para fazer mestrado em Ciência Política (novamente com muitos milagres e conquistas).

Os detalhes dessa história vão vir aos poucos nos próximos posts, mas eu também respondo perguntas nos comentários ou pelo FB. Vou tentar postar uma vez por semana (isso vai ser muito difícil, mas vou me esforçar, fazer mestrado não é mole). E também vou tentar postar a maioria das coisas em inglês também, assim meus amigos daqui também poderão ler.

É isso aí pessoal, obrigado por ter gastado seu tempo lendo isso, e bem vindos!