O fenômeno Sheherazade da crítica vazia

criticaO povo brasileiro sempre foi visto como um povo gentil, que se adapta e sempre dá um jeitinho nas situações adversas. E que adversidades! Nosso povo tem sofrido por muito tempo sem acesso aos mercados globais e seus benefícios (só para esclarecer não sou pró free trade, ok?). Aguentamos a dominação portuguesa, o terror da escravidão, uma independência meio que fake, duas ditaduras e é claro a desigualdade eterna que parece que nunca vai melhorar. Meus pais, que nasceram nos anos 60, passaram por maus bocados antes do tempo em que ser classe média é normal.

Mas minha geração, os que nasceram a partir do final dos anos 80, é diferente. Nós nascemos no final da era da estagflação, não conhecemos a repressão da ditadura nem o “perigo vermelho”¹. Vemos as coisas diferentes de nossos pais. Quando o plano real, que estabilizou nossa economia, foi lançado eu tinha apenas quatro anos. Me lembro como se fosse hoje a alegria que era ir na padaria e comprar um Kinder Ovo por um real. Para nós é normal ver as coisas melhorando, nunca tivemos que realmente lutar pelo que acreditamos.

Nesse cenário é muito natural que comêssemos a ver nosso país com novos olhos. Que enxerguemos a desigualdade e não nos acostumemos, que nos indignemos com a corrupção ou com a ineficiência do nosso governo. Que protestemos por um Brasil melhor, que gritemos, que esperneemos até sermos ouvidos. Mas (muitas vezes) estamos fazendo isso do jeito errado.

Eu fico realmente muito feliz que finalmente estamos nos mobilizando em protestos, e estamos fazendo nossa voz ser ouvida. Que estamos vendo todas as milhões de coisas erradas em nosso país e estamos protestando sobre cada uma delas. Mas tem uma coisa que tenho aprendido muito recentemente (em todas as reviews de livro que tenho que fazer), crítica sem proposta é vazia.

De que adianta irmos para as ruas se não sabemos a real estrutura e dimensão do problema? De que adianta postarmos no Facebook como nosso governo é ruim se não lembramos em quem votamos na última eleição para deputado estadual? De que adianta reclamarmos da corrupção se o seu colega de sala que não te passa cola é um cdf fdp? É muita inocência nossa acreditar que reclamar eternamente sobre como nosso país é terrível, e nem sequer parar por um segundo para pensar no que você pode fazer individualmente para melhorar as coisas, vai resolver alguma coisa – e acredite há muito que podemos fazer!

Não estou aqui para defender uma revolução ou nada assim, só quero deixar bem clara minha opinião. CRÍTICA SEM PROPOSTA É VAZIA E NÃO MUDA NADA!

Em um post futuro vou falar sobre algumas coisas que podemos fazer individualmente para alcançar uma sociedade mais justa e igualitária, com um governo limpo e eficiente. Mas por hoje eu só quero que você pense sobre isso.  Por favor não seja um daqueles que se dizem inconformados mas que na verdade só são reclamões chatos (e ignorantes).

 

¹ Quando digo “perigo vermelho” não me refiro ao comunismo em si, mas no clima de terror promovido pelos EUA durante a guerra fria.

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Meus filmes favoritos

Essa semana li um artigo que falava sobre coisas que devemos aprender durante os nossos vinte e poucos anos. Uma dessas coisas é a habilidade de indicar bons livros, filmes ou discos para outras pessoas explicando o porquê você gosta e porque você acha que outros amariam também. É isso que vou tentar fazer. Eu já estava pensando em falar sobre alguns filmes que assisti durante o meu break e esse artigo foi um incentivo para escrever sobre isso. Como eu gosto de muuuitos filmes refinei a lista até chegar a 15 (vai ser meio longo mas eu não consegui escolher só 10). Antes de trazer meus filmes favoritos de todos quero só trazer uma observação de que se você reparar bem nos filmes, vai aprender muito sobre mim =], vamos à lista então!

 

Meu filme geek: Star Wars (todos) e O senhor dos Anéis (todos)

É meio difícil escolher só uma trilogia pro meu lado nerd. Eu tenho certeza que você já assistiu O Senhor dos Anéis (Se não, vale a pena), mas tenho que recomendar os primeiros filmes Star Wars: Uma nova esperança, O império contra-ataca e O retorno jedi. Com uma tecnologia inovadora esses três filmes são uma das melhores coisas que aconteceu nos anos 80. A história é legal e o mundo Star Wars é fenomenal então eu super recomendo. Uma boa forma de assistir é começar pelo episódio I, A ameaça fantasma e ir assistindo depois do outro na ordem da história (não precisa ser todos de uma vez… haha).

 

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Meu filme de “mulher forte que não tem medo de ir para um lugar distante para encontrar a si mesmo”: Sob o sol da Toscana

 
É a história de uma escritora que foi abandonada pelo marido e fica inconsolável. Ela então vai para a Itália em uma viagem dada por amigas decide ficar. Entre comprar uma casa, reformar a casa, fazer novos amigos e arrumar umas paqueras ela encontra a si mesma. Eu gosto muito da personagem, da coragem dela em sair pelo mundo e conhecer coisas novas, em parte fugindo das tristezas e frustrações, mas sem medo. Recomendo para todas as garotas já crescidinhas que estão descobrindo quem são.

 

Meus filmes favoritos dos anos 80: Indiana Jones (todos)e Digam o que quiserem.say_anything_poster

Indiana Jones é, sem dúvida, um série de aventura muito melhor do que multos filmes de hoje do Gênero. Sempre animado e interessante, o filme vale a pena pelas viagens pelo mundo e mistérios solucionados, sem falar no Harrison Ford ;).

Digam o que quiserem é o filme favorito da minha roommate. Eu nunca tinha assistido mas no sábado passado eu estava em casa relaxando e decidi assistir e o resultado foi: AMEI! O filme é um romance entre dois recém formados no ensino médio. Gostei muito pela sensibilidade e delicadeza da história, sem falar que o rapaz era um fofo.

 

 Forrest Gump, o contador de histórias

Nem sei o que falar dessa história. Uma das minha favoritas desde que eu era criança, acho que li o livro com uns 12 anos. Eu realmente amo ver a história de como o Forrest venceu suas inabilidades e passou por tanta coisa. Acho que quando eu era criança eu acreditava que eu também podia fazer tudo o que ele fez, de certa forma ainda acredito. Não falo de ir para a guerra ou ser campeã de ping pong, mas conquistar coisas que parecem impossíveis.

 

A lista de Schindler

A primeira vez que vi esse filme eu era criança, na época eu não entendi nada mas me lembro de ter ficado chocada com as pessoas estrando na câmara de incineramento e as cinzas caindo pela cidade como neve. O filme é muito longo, mas a história é magnífica, ver Schindler fazendo tudo o que ele pode para salvar o máximo de judeus possível durante o Holocausto de é emocionar. Acho que 80% das pessoas que assistem esse filme choram no final, pela beleza, pela bondade e também pela tristeza.

 

Meu clássico: 12 homens e uma sentençaurl

Esse filme é de 1957 e eu só assisti por que meu pai me pediu para assistir com ele, mas no final eu fiquei muito feliz em ter assistido. A história corre dentro de uma sala de júri onde o júri está se decidindo se um acusado de assassinato é culpado ou inocente. Dos 12 jurados todos se convenceram que o réu era culpado, mas um tinha dúvidas. O filme então discorre à medida em que os jurados tiram suas dúvidas e discutem por horas e mais horas até chegar à uma decisão unânime. Um dos filmes mais inteligentes e envolventes que eu já assisti. Merece um lugar na minha lista

 

tumblr_ld5mxaE0141qd135ro1_1280Meu thriller: O silêncio dos inocentes

Por anos eu adiei assistir esse filme, apesar de ser um dos favoritos do meu pai, eu sempre achei terrível o fato do filme ser sobre um homem que serve a carne das pessoas que ele mata para seus convidados. Finalmente no mês passado assisti e não me arrependi. A inteligência da história e o final feliz são melhores do que a maldade do Hannibal (haha).

 

Meu filme francês: Intocáveis

Só do filme ser em francês já me anima. Mas esse filme é maravilho e nem precisa ser francês para isso. Uma história de amizade e confiança que inspiram qualquer um.

 

As flores da guerraPOSTER-CINEMA-as-flores-da-guerra

Em 2011, durante meu intercâmbio, na minha aula de Relações Internacionais do Leste Asiático, estávamos falando sobre a invasão japonesa na Manchúria nos anos 30. Uma coisa que se fala muito é como os japoneses eram cruéis e como eles mataram e maltrataram o povo chinês. Minha amiga japonesa que fazia a aula comigo saiu da sala chorando. Conversando com ela me explicou como há ressentimentos e arrependimento até hoje no povo japonês pelas atrocidades feitas no passado. Esse filme é sobre isso, a invasão japonesa na Manchúria e como um inglês fez um esforço enorme para salvar um grupo de meninas dos japoneses malvados. Muito lindo, mas também muito triste.

OK, cansei de escrever descrições e você já deve ter cansado de ler, então só vou listar agora.

 Meu filme recente: Os descendentes

 Meu Clint Eastwood: Gran Torino

 Meu Brasileiro: Tropa de Elite (gosto muito dos dois)

 Meu favoritíssimo em um cultural: A encantadora de baleias

 Meu filme sobre professor: Ao mestre com carinho

 Meu Bollywood: Quem quer ser um milionário

Tem também outros filmes que eu realmente gosto, mas não quero fazer ninguém ler um post por trinta minutos então só vou listar mesmo. Os outros filmes que eu amo são Dança com Lobos, O último dos moicanos, Coração valente, O pianista, O fabuloso destino de Amélie Poulain, A vida é bela, Piaf, Comer, rezar e Amar, Gladiador, O jardineiro fiel, Memórias de uma gueixa, Encontrando Forest, Mestre dos mares, A pequena Miss Sunshine, Dirty Dancing, O paciente inglês. Se você quiser saber minha opinião sobre um deles ou sobre qualquer outro dixe um comentário que eu respondo =].

Minha primeira review de acadêmica

Image Para minha aula de política Comparada dessa semana tínhamos que ler um livro e fazer um review do livro. O livro faz uma análise histórica comparada entre Nigéria e Indonésia. O autor relaciona as escolhas estruturais feitas por cada país e crescimento econômico. De acordo com Peter Lewis, o autor, esses dois países tornam a comparação ideal pois os dois são produtores de petróleo, ex colônias que se tornaram independentes mais ou menos n mesmo tempo e passaram por uma transição democrática nos anos 90. O texto é em Inglês e eu escrevi bem correndo por causa do prazo de entrega que era às 17 horas (eu começei a escrever as 14h e fiz o último parágrafo super correndo porque já era 16:40, quase não deu tempo).  

Eu sei que essa review (não sei se uso feminino ou masculino para Review) não é uma super review. Mas eu fico muito feliz em ver como eu tenho evoluido academicamente em Agosto do ano passado eu teria dificuldades até mesmo em entender o que eu acabei de escrever. Tenho certeza que as próximas serão melhores

Vou sempre postar minhas reviews para vocês também acompanharem meu crescimento, como uma marquinha na parede =].

Segue o texto:

 

Review

 Growing Apart: Oil, Politics and Economic Change in Indonesia and Nigeria

By Peter M. Lewis

 Barbara dos Santos

 In this book Peter M. Lewis brings an extensive historical institutionalism analysis investigating what are the effects of different institutional arrangements in economic growth and what are the political conditions for institutional change. In order to identify the “sources of institutional  variation and comparative economic performance” he compares the development paths of Indonesia and Nigeria from the independence to recent years. Following the contrast of context methodology, his analysis has many strengths but also presents some limitations.

            Lewis is very successful in comparing political choice with economic growth in the curse of the history of both countries. Unquestionably his historical explanation follows a clear logic and is accessible to both, academics and policymakers. The chronology followed in the development of the political and economical events gives the reader a strong understanding of the consequences of the political-economic choices and economic and developmental outcomes in Nigeria and Indonesia. The author also presents an empirical analysis of the historical data presented. He reserves one entire chapter of the book to compare the economic performance of  the two countries. He compares several economic indicators data of both countries to provide an “empirical record of comparative economic performance in Indonesia and Nigeria”. The quantitative data reinforces the historical description connecting institutional choice and economic development.    

            Yet, some limitations are found as well. Lewis selects the two cases, Nigeria and Indonesia, based on their similarities and the different path followed by each in the economic development. According to him, their large population, cultural diversity, global position as resource exporter, political regime, regional preeminence and their historical evolution are structural features that link both countries in a structural comparison. His objective is to investigate why these both countries followed such divergent development path sharing this key structural features.

However, there are three points that the author overlooked and might have a major impact on these structural features, the colonial heritage of each country, the neighborhood effect and the Nigerian civil war. These three points when better analyzed can not only change the dynamics of these shared structural points, but also help to explain the different economic development paths followed by Nigeria and Indonesia.      

As the author exposes Indonesia and Nigeria are former colonies of the Netherlands and Great Britain respectively. In Indonesia the Dutch influence started still in the 18th century and the country became independent in 1949. In Nigeria the Britain colonial rule lasted between the 19th century until 1960, when the country got its independence. Lewis disregards the difference in the colonial period of each country. Indonesia was Netherlands colony for much longer than Nigeria was Britain’s colony, also Indonesia got independence from the colonial rule 11 years before Nigeria. Another aspect to say about the colonial rule is the difference in the nature of each colonial empire, while the Netherlands was focusing the commerce, Britain was more concern with production and consumption. In sum, the colonial heritage of each country brings important influences for the formation of the structural features and both of them naturally received different influences that leads to different outcomes in the post-independence period.

Another feature is the neighborhood effect, that becomes extremely important when we analyze the historical context of the 90s. Nigeria was surrounded by neighbors immerse in civil wars, dictatorships or economic collapse, while Indonesia was surrounded by the called Asian Tigers. This factor may not be strong enough to change the configuration of internal structures, but either it can be overlooked. The regional context is very important as Indonesia and Nigeria are important in preeminence role in their geographical positions.

The last factor is the Nigerian civil war. A comparison between a country that went through a 30-month civil war and a country that didn’t go through any civil war must be very careful. The Nigerian civil war had a devastating impact in the Nigerian economic, social and political history, it cannot be overlooked. Lewis would have better results if he had analyzed in a deeper way the structural consequences of the civil war for Nigerian economy and politics. Maybe he would find that this single factor makes the comparison between Nigeria and Indonesia unbalanced and inappropriate.  

Another limitation in Lewis work is that is no clear if the author makes a causal inference. He differentiates the Indonesian neopatrimonial rule and the Nigerian predatory rule, makes a beautiful historic explanation, but is still not clear if the author presents a hypothesis and what would be each variable. Is the author trying to bring generalizations? His empirical work lacks in specificity and clarity.

For this graduate student the author brings a lucid an brilliant historical approach but lacks in scientificity. 

 

 

O dia que descobri minha invisibilidade

Como muitos de vocês sabem eu faço parte da Global Intervarsity Christian Fellowship ou simplesmente Global IV. O principal objetivo da Global IV é ser uma comunidade hospitaleira para alunos internacionais. E quando você é um aluno internacional por aqui, isso faz falta.

Alunos internacionais nos EUA não são bem vindos, e você é lembrado disso muitas vezes ao dia. Sabe qual é uma das palavras que são usadas para descrever estrangeiros? Aliens, e ela é usada viu! As pessoas simplesmente não gostam de estrangeiros. Eu não estou dizendo que as pessoas me tratam mal, elas simplesmente me ignoram. Me lembro quando eu era intercambista, das quatro matérias que fiz, em duas delas ninguém da sala conversou comigo o semestre inteiro.

Talvez a experiência que você teve nos EUA foi diferente, talvez você morou ou passeou em um lugar que tem um monte de estrangeiros, comunidades latinas, chinesas ou qualquer outra experiência cosmopolita. Mas aqui em West Virginia, isso não acontece. West Virginia é um estado branco, republicano e pobre. A maioria dos alunos que são daqui nunca conheceu sequer um estrangeiro antes de vir para a faculdade, e como bons americanos eles acham que todos estão aqui para invadir o país deles e roubar todos os empregos possíveis.

E quanto mais eu me envolvo com outros alunos internacionais através da Global IV eu percebo que essa é uma experiência universal, todos os alunos internacionais que eu conheço passam por rejeição e invisibilidade. Eu descobri a minha invisibilidade essa semana.

Eu já havia experimentado a rejeição, mesmo ela sendo muito menor na Grad School. Meus colegas grad students são mais internacionalizados, muitos deles já até viajaram para outros países (isso mesmo até, por que o americano médio não sabe que existem outros países). Quando estou entre meus colegas não me sinto rejeitada com frequência, eles conversam comigo, me fazem perguntas sobre meus país, e me convidam para grupos de estudos. Mas não são todos, eu diria que a metade dos meus colegas reconhecem a minha existência.

Quanto à minha invisibilidade, eu descobri na minha aula de IPE (Economia Política Internacional). A aula era sobre teoria da dependência (uma teoria de que teve sua origem na América Latina e um dos teóricos é o Fernando Henrique Cardoso), a nossa aula é em estilo de seminário todo mundo fala (somos 10 alunos no total). Por algum motivo alguém começou a falar sobre a copa do mundo desse ano (acho que era alguém falando como o time dos EUA vai ser um dos que mais vai viajar para jogar em diferentes cidades).

É claro que como cientistas políticos nós temos que falar das implicações políticas dos eventos, então alguém teve a brilhante ideia de demonstrar seus conhecimentos sobre a insatisfação do provo brasileiro com a copa do mundo. Depois outra pessoa fez o mesmo. Quando eu me dei por conta todo mundo estava falando sobre como o povo estava revoltado com a copa do mundo e quebrando tudo à beira de uma revolução. Essa discussão durou alguns minutos, e em momento nenhum alguém olhou para mim (você lembra que eu sou brasileira né? Haha) ou perguntou a minha opinião.

É claro que dei mesmo assim, levantei a minha voz e disse o que eu vejo. Disse sobre como os protestos não estão mais acontecendo, disse que eles não eram só contra a copa do mundo mas também contra a corrupção, falta de investimento na educação, saúde, transporte público e etc. Que eles eram muita reclamação e pouca ação, que as eleições desse ano vão ter o mesmo resultado de todas as outras e nada vai mudar devido aos protestos (riots, como eles chamam) por que o povo só reclama mas não sai da zona de conforto.

Não sei o que me espantou mais, o fato deles não saberem nada sobre o Brasil, deles acharem que sabem ou deles me ignorarem completamente enquanto falavam um monte de baboseira sobre meu país.  Não… sei sim.

Não posso julga-los por não saberem sobre meu país, eu não sei nada sobre Gana, ou Ucrânia, ou Canadá, nem sobre outros muitos países. Também não posso julga-los pela arrogância de saber o que na verdade eles não sabem, é por isso que somos alunos, para aprender o que não sabemos e saber direito o que só achamos que sabemos.

Mas o que me espontou mais foi o fato de eu ser invisível. A sensação se ter todos os meus colegas discutindo com a segurança de quem sabe sobre meu país sem nem ao menos olhar para mim foi a de invisibilidade. Eu não sei se quando você estava na faculdade você teve um colega de outro país mas eu tive. Todas as vezes que conversávamos sobre os países deles nós fazíamos um monte de perguntas para eles, eles não eram invisíveis para nós.

Eu não estou aqui reclamando ou dizendo para todo mundo como eu odeio meus colegas americanos. Eu sei que a estranhesa do desconhecido é própria da cultura deles, o que para nós como brasileiros é completamente incompreensível, nós amamos o deferente, o culturalmente diverso. Nem estou dizendo que eu odeio a minha vida (coisa de emo haha) por que quem me conhece sabe que sou uma exímia fazedora de amigos e não vou me intimidar pelos muros da invisibilidade. Eu vim aqui para aprender, crescer como acadêmica e como pessoa. E é isso que vou fazer, sem me importar com os que me ignoram.

Mas aos que insistem me ignorar, eu deixo um recado: Eu vou te perseguir, assombrar os seu sonhos, eu estarei lá quando você estiver maltratando um chinês ruim de inglês, eu vou atrás de você até você aprender que os estrangeiros são gente também, você vai se arrepender em me ignorar…

Brincadeira, só quero dizer mesmo que conhecer outras culturas é muito legal e que é impossível se arrepender de se abrir para isso.