Coisas que aprendi na Grad School

Em 2012 me formei em Relações Internacionais, e como uma apaixonada pelo conhecimento aspirante a docente o curso natural para mim seria fazer uma pós-graduação. Em 2011 eu fiz um intercâmbio na West Virginia University (WVU), nos EUA. Esse tempo estudando no exterior abriu meus horizontes e me fez perceber que o mundo acadêmico era muito mais amplo e profundo do que eu tinha conhecimento. Depois de me formar me candidatei ao programa de mestrado da WVU e fui aceita. Em agosto de 2013 voltei para os EUA, dessa vez como aluna de mestrado, uma Grad Student.

Mas o que eu tenho aprendido desde então vai muito além de teorias, hipóteses e metodologias (e da terrível estatística). Vou compartilhar com vocês algumas coisas que tenho aprendido nesse tempo de mestranda.

1.       Por mais que eu saiba de alguma coisa, tudo mundo sabe mais do que eu.


(Ai que burro dá zero pra ele!)

Uma coisa terrível (na verdade nem tão terrível assim) do meu programa é que as aulas misturam alunos de doutorado, que são a maioria majoritária, e mestrado. No meio desse pessoal que já tem alguns anos de grad school eu geralmente me sinto a mais burrinha. Sem falar da desvantagem em ser aluna internacional, muitas vezes eu entendo um texto todo errado e pago o maior mico falando que o autor disse uma coisa que ele não disse. Mas dizem que o primeiro ano de grad school é o mais difícil, eu espero que essa fase passe.

2.       Ler 1.000 páginas por semana é possível (ou deveria ser).

Todos os semestres eu faço 3 matérias de 3 créditos. Para cada uma delas há uma carga de leitura de preparação para as aulas. Uma característica importante da pós graduação é que você tem que buscar o conhecimento por si próprio, e ler diversas visões de um mesmo fenômeno para tirar as próprias conclusões faz parte disso. Não tem jeito, para aprender é necessário ler, e quanto mais, melhor. Portanto eu não estou reclamando da carga de leitura, mas que é difícil é…

3.       Não tem jeito, se você comer mal por que não tem tempo de cozinha, você vai engordar!

No começo do primeiro semestre eu estava toda animada, já tinha planejado em cozinhar uma ou duas vezes por semana para comer sempre comida saldável. Mas à medida que o semestre foi passando eu ficava mais ocupada percebi que era bem mais fácil almoçar um Burguer King no campus ou comprar um Jimmy John’s no caminho de casa. Quando eu tinha finalmente tempo para cozinha tinha que fazer outras coisas como lavar minhas roupas, limpar meu quarto ou só tirar uma soneca mesmo. O resultado foram 3k a mais no primeiro semestre. Depois que o semestre acabou eu dei um jeito de malhar e comer bem e perdi os quilos extras.

4.       Você percebe que está velho quando os kids da faculdade são crianças!

Às vezes quando estou andando pelo campus tenho a impressão de que estou em qualquer outro lugar, menos em uma faculdade. A maioria dos outros alunos parecem adolescentes! Aí penso “esses meninos vão para a faculdade cada vez mais novos”. Mas aí quando vejo minhas fotos dos primeiros períodos da faculdade percebo que eu também era bem novinha. No final das contas eu acho é que eu é estou ficando velha.

5.       Devia ter levado a faculdade mais a sério.

Isso não significa que eu não levei a faculdade a sério ou que não estudei. Mas eu acho que se tivesse me dedicado mais talvez estaria mais preparada para encarar o mestrado. Eu deveria ter feito todas as leituras e não ter me contentado somente em passar direto, eu deveria ter passado algumas horas do meu final de semana estudando. Isso teria feito uma grande diferença hoje.

6.       A faculdade é muito, mas muito fácil mesmo.

Fico até triste em pensar nisso. Quando eu fazia faculdade trabalhava 30h por semana, não fazia todas as leituras, tinha um monte de tempo livre no final de semana e ainda passava direto em tudo (menos em Organizações Internacionais, no 6° período que peguei final, mas passei). Como era fácil a faculdade, tudo fluía naturalmente. Como eu queria poder ter o tempo que eu tinha antes! Mas não vou reclamar, eu gosto de estudar, só preciso ter um nível exímio de organização para fazer tudo o que antes era natural.

7.       Meu TCC era horroroso.

Trabalhei durante um ano no meu TCC, busquei fontes, informações, li monte e dei o meu melhor. Depois da minha apresentação e o 9,7 que recebi me senti super feliz. Quando consegui a publicação dele em uma revista de iniciação científica então, me senti o máximo! Acontece que ele era horroroso, sem uma base teórica forte, a revisão de literatura fraquíssima, análise empírica falha e uma conclusão desinteressante. Mas eu só sei disso hoje por que estou morrendo de estudar no mestrado. Isso me mostra que meu sacrifício aqui está sendo válido, eu estou aprendendo e quem sabe um dia vou poder produzir uma pesquisa de excelência?

8.       Dormir 8h por noite é luxo.

Não tem jeito, para ler o tanto que eu preciso, trabalhar nos meus artigos, trabalhar, e andar pra todo lado para fazer isso tudo são necessárias muito mais de 16h por dia, logo dormir não é mais prioridade.

9.       Uma das coisas mais importantes que eu tenho é o tempo.

Como disse no tópico anterior, meu dia é muuuito ocupado. E eu não tenho tempo para fazer tudo o que eu preciso. O jeito é priorizar e organizaar bem o tempo. O que acontece na verdade é que eu acabo gastando mais tempo do que devia no facebook e sempre fico brava. Mas um dia eu chego lá.

10.   Que é muito, muito muito difícil mesmo para focar nos estudos.

Facebook, geladeira, a neve caindo, o frio que faz na biblioteca, o sono que não deixa meus olhos abertos, o cansaço mental, e um monte de outras coisas. Tudo isso me distrai todos os dias. Muitas vezes eu acabo passando mais tempo tentando focar do que propriamente estudando. Tomara que eu fique melhor nisso com o passar do tempo.

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Para finalizar, uma musiquinha para meus amiguinhos universitários.

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A solteirice de uma menina crente

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Tenho 24 anos e à medida que a gente vai ficando mais velho vai aprendendo mais sobre a vida e sobre si mesmo. Tenho aprendido muito sobre muitas coisas, mas hoje quero compartilhar o que tenho aprendido sobre solteirice (não tenho certeza se essa palavra realmente existe :p).

Quando eu era adolescente (graças a Deus que já passou!) pensava que se eu chegasse nos meus 20 e poucos solteira minha vida seria uma derrota total. Ainda bem que eu não penso mais assim, por que eu tenho 20 e poucos e sou solteiríssima. Mas ter 20 e poucos anos e ser solteira não é muito fácil ainda mais para uma menina cristã.

Antes de tudo quero dizer que acredito que relacionamento é algo sério, não poder ser meramente para satisfazer necessidades egoístas físicas ou emocionais. Um relacionamento deve ser sempre um teste para um casamento. Mas é claro que as necessidades existem, e para uma jovem mulher elas são fortemente emocionais. E por causa das necessidades emocionais vejo muitas jovens na igreja doidas para arrumar um namorado (ou um marido para as mais sérias). Mas isso nem sempre acontece, e para as solteiras nem sempre é fácil conviver com si mesmo e com os preconceitos das pessoas ao nosso redor.

A sociedade evangélica é baseada na família, para os adultos solteiros (Não tenho muita certeza se me enquadro nessa categoria, ainda é difícil me enchargar como adulta) a vida não é fácil. Além das nossas próprias necessidades enfrentamos muitas outras pressões, na igreja, no trabalho, na faculdade, na família, em todo lugar. As pessoas acham que se alguém tem 25 ou 30 e está solteiro tem algo errado com essa pessoa e ela deve estar miseravelmente infeliz. Quando digo solteiro quero dizer solteiro mesmo, sem namorado, porque paradoxalmente muitas pessoas desencorajam o casamento antes dos 30. Então para a maioria das pessoas uma pessoa entre 20 e 30 não pode ser solteira nem casada (estou falando em termos gerais, um padrão que tenho observado que acontece dentro da igreja e me parece meio que uma mistura de um pensamento cristão e secular).

Já ouvi muitas coisas que me mostram que a mentalidade do povo de Deus talvez não esteja muito de acordo com a mentalidade do Pai, e o propósito dele para cada um. Não acho que todos tenham que concordar comigo, mas acho que todos devemos refletir a respeito. Por isso vou listar as coisas que já ouvi e o que eu acho de cada uma.

Algumas pessoas pensam que sou solteira por opção e tentam me apoiar, e disso vem cada pérola.

 

– Isso mesmo não casa agora não aproveita a vida.

Eu não tenho muita certeza do que essa pessoa estava falando. Como assim aproveitar a vida? Eu realmente espero que ele/ela estivesse falando de estudar no exterior ou ser missionária em outro país. Mas não acho que era isso. As pessoas pensam que depois do casamento a vida acaba, não se pode fazer mais nada. É claro que não posso falar sobre casamento, mas eu realmente não acredito que só se pode aproveitar a vida se você for solteiro. Eu até entendo que as pessoas pensem assim fora da igreja onde a regra é a auto realização e a busca interminável por prazer, nesse cenário sim, ser solteira é o melhor negócio. Não tenho certeza se como cristã ser solteira é melhor do que ser casada, nem de que ser casada é melhor do que ser solteira.

 

– Isso mesmo, não casa não, estuda!

What??? Quer dizer então que casar e estudar são antônimos? Tudo bem que eu esteja fazendo mestrado, que eu planejo fazer doutorado, mas não acho que o único jeito de fazer isso seja solteira. Entendo que depois que se casa as responsabilidades aumentam, e que talvez o ritmo de estudo tenha que ser mais lendo, mas e daí?

 

– Isso mesmo, não casa agora não, faz a obra de Deus.

Hum, esse é melhorzinho. Mas ainda sim tenho que discordar. Sabemos que o Apóstolo Paulo (I Co 7:8) aconselha os solteiros a permanecerem solteiros e se aplicarem à obra, mas uns versos antes ele deixa bem claro que era a opinião dele e não mandamento (uma opinião que devemos respeitar). De qualquer forma eu concordo que na minha solteirice posso dar todo o meu tempo ao Senhor e trabalhar bastante para ele. Mas estou muito certa que casada também farei a obra, talvez de uma outra forma, mas o casamento não vai trazer uma “invalidez” na minha identidade de serva, isso é certo.

 

Tem ainda quem ache que ser solteira aos 20 e poucos é terrível e tentam me consolar de alguma forma.

 

– Ah, você está muito ocupada pra pensar nisso.

Sim eu estou muito ocupada, mas não de mais para encontrar o amor da minha vida S2. O que eu quero dizer é que eu não vou usar meu mestrado (que exige umas 10h de estudo por dia) como desculpa para minha solteirice, eu não sou solteira por que sou ocupada. Nem quero usar isso como uma mascara, para esconder minhas tristezas de ser solteira, o que às vezes acontece. Sou ocupada e sou solteira, os dois não se relacionam.

 

– Não se preocupe, o cara certo vai aparecer, Deus está caprichando.

Eu sei e não estou preocupada.

 

– Você está focada em outras coisas, depois você pensa nisso.

Realmente eu não estou focada em arrumar um namorado ou casar, mas também não desprezo a ideia. Se rolar beleza, se não beleza também.

 

Como uma jovem solteira os dias nunca são iguais. Às vezes a vida é bela, eu me sinto livre, leve e solta pra fazer o que eu quiser sem ninguém para prestar contas. Mas às vezes é meio chato ficar sozinha. Eu não acredito nessa ideia hollywoodiana de que se eu encontrar o amor da minha vida eu vou ser finalmente feliz para sempre, e que os romances são perfeitos. Mas também não quero ser orgulhosa e pensar que eu não preciso de ninguém, sou o máximo sozinha, a mulher maravilha. Mas para encontrar esse equilíbrio levou um tempinho, pode ser que eu escreva sobre isso um dia.

Eu não preciso de motivos e nem desculpas para ser solteira. Também não quero me sentir terrível ou miserável por estar solteira. A única coisa que eu quero é fazer a vontade de Deus. Viver o que ele tem para mim hoje. Deus tem uma história para a humanidade que está sendo desenhada desde a fundação do mundo. No meio disso tudo eu tenho um papel importante a desempenhar nessa história. O que eu quero é fazer o meu melhor, sozinha ou acompanhada.

 

 

Welcome!

Já faz um tempo que quero ter um blog para escrever o que penso sobre o que vejo. Como resolução de ano novo, vou colocar esse plano em ação :p.

 

Antes de tudo quero falar um pouco sobre mim, acho que se você me conhecer um pouco pode entender meus pontos de vista.

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Nasci em 1989, em Belo Horizonte, em uma família cristã (pode falar crente mesmo) e cresci neese ambiente. Desde de pequenininha tive fé em Deus e na Bíblia. Hoje sou apaixonada pelo cristianismo e pelo Cristo que o originou, guio minha vida e escolhas pela Bíblia e tudo o que penso passa por esse filtro.

Outra paixão é a política internacional. Acho que recebi muitas influências da minha família nesse sentido. Muitas das minhas lembranças de infância são aprendendo e querendo saber mais sobre o mundo. Me lembro de ser pequenininha e amar assistir documentários sobre outros países, e de receber “aulinhas” de geografia do meu pai com um mapa-mundi enorme que tínhamos em casa e de ganhar um atlas de presente no meu aniversário de 7 anos (mas esse aí não foi por escolha, o que eu queria mesmo era uma Barbie). 

Ainda criança eu queria aprender inglês, mas meus pais não podiam pagar uma escola para mim. Diz o ditado quem quer dá um jeito, dei um jeito e aprendi por mim mesma. De ínicio com um dicionário velho eu traduzia tudo o que vinha na minha mão que fosse em inglês. Mais tarde, aos 16 começei a trabalhar de estágiária de nível médio na prefeitura de BH e paguei um curso eu mesma. Depois disso nunca mais parei.

Junto com os estudos de inglês veio o sonho de estudar no exterior. E depois de muitos milagres e conquistas em 2011, no meu último ano da faculdade (Relações Internacionais por sinal), eu fiz um intercâmbio na West Virginia University. Mas um semestre de estudo não me satisfez, e em 2013, depois que me formei na faculdade, voltei para fazer mestrado em Ciência Política (novamente com muitos milagres e conquistas).

Os detalhes dessa história vão vir aos poucos nos próximos posts, mas eu também respondo perguntas nos comentários ou pelo FB. Vou tentar postar uma vez por semana (isso vai ser muito difícil, mas vou me esforçar, fazer mestrado não é mole). E também vou tentar postar a maioria das coisas em inglês também, assim meus amigos daqui também poderão ler.

É isso aí pessoal, obrigado por ter gastado seu tempo lendo isso, e bem vindos!